"Por isso escutem-me,
vocês que têm conhecimento.
Longe de Deus esteja o fazer o mal,
e do Todo-poderoso
o praticar a iniquidade. Ele retribui ao homem
conforme o que este fez,
e lhe dá o que a sua conduta merece. Não se pode nem pensar
que Deus faça o mal,
que o Todo-poderoso
perverta a justiça. Quem o nomeou
para governar a terra?
Quem o encarregou de cuidar
do mundo inteiro? Se fosse intenção dele,
e de fato retirasse o seu espírito
e o seu sopro, a humanidade pereceria
toda de uma vez,
e o homem voltaria ao pó. "Portanto, se você
tem entendimento,
ouça-me, escute o que tenho a dizer. Acaso quem odeia a justiça
poderá governar?
Você ousará condenar
aquele que é justo e poderoso? Não é ele que diz aos reis:
'Vocês nada valem',
e aos nobres: 'Vocês são ímpios'? Não é verdade que ele não mostra
parcialidade a favor dos príncipes
e não favorece o rico
em detrimento do pobre,
uma vez que todos
são obra de suas mãos? Morrem num momento,
em plena noite;
cambaleiam e passam.
Os poderosos são retirados
sem a intervenção de mãos humanas. "Pois Deus vê o caminho
dos homens;
ele enxerga cada um dos seus passos. Não há sombra densa o bastante,
onde os que fazem o mal
possam esconder-se. Deus não precisa de maior tempo
para examinar os homens
e levá-los à sua presença
para julgamento. Sem depender de investigações,
ele destrói os poderosos
e coloca outros em seu lugar. Visto que ele repara nos atos
que eles praticam,
derruba-os, e eles são esmagados. Pela impiedade deles,
ele os castiga onde todos
podem vê-los. Isso porque deixaram de segui-lo
e não deram atenção aos caminhos
por ele traçados. Fizeram chegar a ele
o grito do pobre,
e ele ouviu o clamor do necessitado.