Como o escravo que anseia
pelas sombras do entardecer,
ou como o assalariado
que espera ansioso pelo pagamento, assim me deram meses de ilusão
e noites de desgraça
me foram destinadas. Quando me deito,
fico pensando:
Quanto vai demorar
para eu me levantar?
A noite se arrasta,
e eu fico me virando na cama
até o amanhecer. Meu corpo está coberto de vermes
e cascas de ferida,
minha pele está rachada
e vertendo pus. "Meus dias correm mais depressa
que a lançadeira do tecelão,
e chegam ao fim
sem nenhuma esperança. Lembra-te, ó Deus,
de que a minha vida
não passa de um sopro;
meus olhos jamais
tornarão a ver a felicidade. Os que agora me veem,
nunca mais me verão;
puseste o teu olhar em mim,
e já não existo. Assim como a nuvem se esvai
e desaparece,
assim quem desce à sepultura
não volta. Nunca mais voltará ao seu lar;
a sua habitação não mais o conhecerá.