Todos os que me ouviam
falavam bem de mim,
e quem me via me elogiava, pois eu socorria o pobre
que clamava por ajuda
e o órfão que não tinha
quem o ajudasse. O que estava à beira da morte me abençoava,
e eu fazia regozijar-se o coração
da viúva. A retidão era a minha roupa;
a justiça era o meu manto e
o meu turbante. Eu era os olhos do cego
e os pés do aleijado. Eu era o pai dos necessitados
e me interessava
pela defesa de desconhecidos. Eu quebrava as presas dos ímpios
e dos seus dentes arrancava
as suas vítimas. "Eu pensava: Morrerei em casa,
e os meus dias serão numerosos
como os grãos de areia. Minhas raízes chegarão até as águas,
e o orvalho passará a noite
nos meus ramos. Minha glória se renovará em mim,
e novo será o meu arco
em minha mão. "Os homens me escutavam
em ansiosa expectativa,
aguardando em silêncio
o meu conselho. Depois que eu falava,
eles nada diziam;
minhas palavras caíam suavemente
em seus ouvidos. Esperavam por mim
como quem espera
por uma chuvarada
e bebiam minhas palavras
como quem bebe a chuva
da primavera. Quando eu lhes sorria,
mal acreditavam;
a luz do meu rosto lhes era preciosa. Era eu que escolhia o caminho
para eles
e me assentava como seu líder;
instalava-me como um rei
no meio das suas tropas;
eu era como um consolador
dos que choram.