Era crepúsculo, o entardecer do dia,
chegavam as sombras da noite,
crescia a escuridão. A mulher veio então ao seu encontro,
vestida como prostituta,
cheia de astúcia no coração. (Ela é espalhafatosa e provocadora,
seus pés nunca param em casa; uma hora na rua, outra nas praças,
em cada esquina fica à espreita.) Ela agarrou o rapaz,
beijou-o e lhe disse descaradamente: "Tenho em casa
a carne dos sacrifícios de comunhão,
que hoje fiz para cumprir os meus votos. Por isso saí para encontrá-lo;
vim à sua procura e encontrei! Estendi sobre o meu leito
cobertas de linho fino do Egito. Perfumei a minha cama
com mirra, aloés e canela. Venha, vamos embriagar-nos
de carícias até o amanhecer;
gozemos as delícias do amor! Pois o meu marido não está em casa;
partiu para uma longa viagem. Levou uma bolsa cheia de prata
e não voltará antes da lua cheia". Com a sedução das palavras o persuadiu
e o atraiu com o dulçor dos lábios. Imediatamente ele a seguiu
como o boi levado ao matadouro,
ou como o cervo que vai cair no laço até que uma flecha lhe atravesse o fígado,
ou como o pássaro que salta
para dentro do alçapão,
sem saber que isso lhe custará a vida. Então, meu filho, ouça-me;
dê atenção às minhas palavras. Não deixe que o seu coração
se volte para os caminhos dela,
nem se perca em tais veredas. Muitas foram as suas vítimas;
os que matou são uma grande multidão.