embora saibas que não sou culpado
e que ninguém pode
livrar-me das tuas mãos. "Foram as tuas mãos
que me formaram
e me fizeram.
Irás agora voltar-te e destruir-me? Lembra-te de que me moldaste
como o barro;
e agora me farás voltar ao pó? Acaso não me despejaste como leite
e não me coalhaste como queijo? Não me vestiste de pele e carne
e não me juntaste
com ossos e tendões? Deste-me vida e foste bondoso
para comigo
e na tua providência
cuidaste do meu espírito. "Mas algo escondeste
em teu coração,
e agora sei o que pensavas. Se eu pecasse,
estarias me observando
e não deixarias sem punição
a minha ofensa. Se eu fosse culpado, ai de mim!
Mesmo sendo inocente,
não posso erguer a cabeça,
pois estou dominado pela vergonha
e mergulhado na minha aflição. Se mantenho a cabeça erguida,
ficas à minha espreita como um leão
e, de novo, manifestas contra mim
o teu poder tremendo. Trazes novas testemunhas
contra mim
e contra mim aumentas a tua ira;
teus exércitos atacam-me
em batalhões sucessivos. "Então, por que me fizeste
sair do ventre?
Eu preferia ter morrido
antes que alguém pudesse ver-me.